Seu Juvenal: Um rock errado?

Há muito tempo que queria escrever sobre o Seu Juvenal, mas, depois de todos os contra-tempos (o que incluiu a mudança para esse novo ambiente), finalmente vamos nessa.

Em 2015, a banda formada por Bruno Bastos (vocal), Edson Zacca (guitarra), Alexandre Tito (baixo) e Renato Zacca (bateria) lançou seu álbum de estréia, Rock Errado (2015). Ainda no ano passado o Edson enviou-me o LP e confesso que escutei muito na vitrola.

Antes de iniciar, gostaria de salientar que essa é a primeira resenha de LP que faço, isso mesmo, estou escutando ao LP do Rock Errado (2015) enquanto escrevo isso. E nada melhor do que posicionar a agulha e escutar Homem Analógico (entendeu o trocadilho?). A música tem um estilo meio cordel, com pausas e vocal “falado”, dando lugar a um belo refrão.

O nome “Rock Errado” já estava se fazendo presente, a banda não estava seguindo padrões. A mistura de estilos – variando peso e melodias mais indie -, que esteve presente na primeira música, continuou em Free Ordinária. O estilo da música lembrou muito o Concrete Blonde, banda que misturou rock pesado com melodias indie. Antropofagia Disfarçada inicia com um riff de bateria, logo acompanhado pelo baixo. A melodia lembrou o rock oitentista brasileiro. Gostei do tom meio obscuro e pesado da música.

Depois de um tom meio distópico e poético em Asfalto, o peso continua com o instrumental Louva-a-Deus, com seu riff bem rock’n’roll pesado, encerrando o Lado A do LP. Um dia de Fúria, seguida da faixa-título do álbum, Rock Errado, abrem o Lado B com puros riffs rock’n’roll. Agora repito a pergunta do título, eles erraram no rock? Não sei opinar, mas se erraram, prefiro esse rock errado do que muitos “corretos”. A sonoridade do álbum é bastante diversificada, eles não sentiram medo de misturar distorção de guitarra com acordes dissonantes e por aí vai. Daí penso que surgiu o nome “Rock Errado”, porque eles não ficaram restritos aos power-chords típicos do rock.

Percebi várias linhas criativas no álbum, isso sem comentar as letras. Uma linha aborda músicas mais “diretas” no rock, trabalhando com riffs pesados; e outra linha inclui elementos de MPB e indie nas composições. As misturas continuam em Moleque Dissonante, ainda na linha das músicas pesadas do álbum, e em A Chuva Não Cai, na linha mais MPB. Esta última chamou muito a atenção pela complexidade da composição, por assim dizer. Foi uma música que não me contentei em ouvir apenas uma vez, e mesmo assim ainda não consigo descrever bem ela. Ao lado de Rock ErradoA Chuva Não Cai é o ponto alto do Rock Errado (2015). Ambas as músicas conseguem representar toda a essência desse álbum.

Para encerrar o lado B, a enigmática Burca se faz presente. O início bem psicodélico, com sequências semitonadas, casa muito bem com a letra e o vocal. A música vai ganhando peso gradativamente até entrar em uma sequência puro rock’n’roll.

Fiquei com uma boa impressão do Rock Errado (2015) ao fim da audição. O Seu Juvenal conseguiu entregar um álbum original, com estilo próprio; e conseguiu associar bem diversos estilos musicais, imagino eu que influência de cada integrante da banda.

Tracklist:

1.Homem Analógico
2.Free Ordinária
3.Antropofagia Disfarçada
4.Asfalto
5.Lova-a-Deus
6.Um Dia de Fúria
7.Rock Errado
8.Moleque Dissonante
9.A Chuva Não Cai
10.Burca

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