Pop Javali: Excelente em todos os aspectos

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Após o lançamento do álbum Live in Amsterdam (2016), que capturou a performance do Pop Javali em um dos shows em sua turnê europeia, o ano de 2017 marca o lançamento do seu mais novo trabalho de estúdio, Resilient (2017). O álbum, lançado pela Voice Music, é o terceiro álbum da banda formada por Marcelo Frizzo (baixo e vocal), Loks Rasmussen (bateria) e Jaeder Menossi (guitarra).

O instrumental A New Beginning abre o álbum, que dá logo lugar à cativante e pesada Hollow Man. Gostei muito da composição, os intrumentos estão todos muito bem coesos. O peso da guitarra, acompanhado do pedal duplo na bateria e da saturação no baixo unem velocidade e contrastam com um refrão mais lento. Drying the Memories possui introdução no baixo adicionada de um excelente riff na guitarra, no melhor estilo heavy metal anos 80. Além disso, a música varia bastante as melodias — característica que aparece muito no Resilient (2017).

Algo que chama muito a atenção são os timbres escolhidos para os instrumentos, principalmente a guitarra. É possível sentir o peso e mesmo assim entender tudo o que está sendo tocado.

O Pop Javali, além do peso, explora também o lado mais clássico do rock em composições como Reasonable, Turn Around e Shooting Star. Tudo funcionou muito bem no álbum, as músicas mais lentas são contrastadas com músicas mais pesadas e velozes como We Had it Coming, além das já citadas no início do álbum. Um lado mais técnico é mostrado em Broken Leg Horse, lembrando um pouco o Judas Priest. Novamente, variações no andamento da música podem ser percebidas, com a inclusão de um excelente solo sob uma base veloz e pesada.

O Resilient (2017), na verdade, é o primeiro trabalho de estúdio que escuto do Pop Javali — o primeiro foi o Live in Amsterdam (2016). O que chamou a atenção na sonoridade é como a banda funciona bem executando músicas pesadas e melódicas. E já que fiz esse comentário, Undone é a composição que une muito bem esses dois elementos — ela balanceia peso e passagens melódicas. Essa música mostrou, de fato, que o Pop Javali não é qualquer coisa. O álbum é encerrado com a pesada Resilient, arrisco a dizer que possui uma linha quase “thrash”, abrindo espaço até para um vocal mais agressivo de Marcelo; e com a calma Renew our Hopes.

Na física, a resiliência descreve a capacidade de um material retomar ao seu formato original após ser submetido a uma deformação; já na psicologia, descreve um indivíduo capaz de suportar mudanças. Puxando o assunto para o álbum, temos músicas pesadas, leves, clássicas, melódicas, etc. Tudo em unidade, remetendo a um único formato, um álbum. Não achei o conceito forçado, traduziu bem o sentimento que ficou após concluir a audição do Resilient (2017).

O trabalho gráfico do álbum está à altura das músicas. A arte da capa é assinada por João Duarte e a gravação ocorreu no Busic Studio, em São Paulo/SP.

O Pop Javali pratica um heavy metal, mas também explora a vertente mais clássica do rock, algo como o Uriah Heep. As músicas conseguem se comunicar muito bem entre si — na unidade do álbum. As variações melódicas são evidentes nas composições, e isso é algo que levo bastante em consideração quando escuto um trabalho.

#Pop Javali – Resilient (2017)
Selo: Voice Music

1.A New Beginning
2.Hollow Man
3.Drying the Memories
4.Reasonable
5.We had it Coming
6.Shooting Star
7.Turn Around
8.Broken Leg Horse
9.Undone
10.Show you the Money
11.Resilient
12.Renew our Hopes



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