Entrevista: Rodrigo Sinopoli, vocalista do Primator

Foto Rodrigo Sinopoli_Primator

Em meio a todo o peso que permeia o universo do rock e metal ultimamente, bandas que lapidam aquela sonoridade tradicional primordial do heavy metal ainda surgem e surpreendem com seu som, por que não dizer, inovador. Enquanto a banda se prepara para o lançamento do seu segundo trabalho, sucessor do álbum Involution (2015), o Rock’N’Prosa conversou com o vocalista Rodrigo Sinopoli.

Inicialmente, muito obrigado pelo tempo em responder à entrevista. O Primator surgiu por volta do ano 2010, pelo que pude pesquisar e, após lançar uma demo em 2002, lançou o seu álbum de estreia, o Involution, em 2015. O que esse tempo entre o surgimento da banda e a gravação do álbum trouxe de experiência para vocês e como isso foi refletido nas composições?

Rodrigo Sinopoli – Foi um período marcado por incertezas e expectativas, pois apesar da empolgação em criar e produzir nossa própria música, até o lançamento do EP, em 2012, não tínhamos como prever a aceitação do público e da mídia em relação ao som que estávamos fazendo. Apresentações e festivais foram essenciais para nos dar a confiança necessária para concluir as composições do Involution.

A banda pratica um heavy metal tradicional, mas sem se prender à sonoridade oitentista do estilo; essa foi minha impressão do Involution. O álbum é baseado na Teoria da Evolução, de Darwin. Como o conceito do álbum é refletido no que é o Primator?

Rodrigo – Em todos os aspectos do álbum, tentamos expor um lado pouco pensado da teoria de Darwin. Acredito que enquanto banda, embora num cenário obscuro e incerto no que tange o momento atual do Heavy Metal, é importante passar uma mensagem de alerta ao ouvinte. Dizer a ele que algo está errado ou certo, que a beleza exterior muitas vezes não é reflexo da alma e vice-versa. Com um álbum conceitual, fica mais fácil passar essa mensagem do que em apenas uma ou duas músicas.

A capa do Involution traz a figura do “Primator”. Qual o significado dessa figura no álbum? Vocês pretendem utilizar o personagem nos trabalhos futuros?

Rodrigo – Ele representa um ponto de equilíbrio entre a ordem e o caos. É um ser primitivo, cujas decisões são calcadas à base do instinto, sempre com um senso de justiça envolvido, o que nos quadrinhos costuma-se denominar de anti-herói, porém com a essência figurativa, que não o prende ao tempo e espaço. Até por isso, pretendo sim, utiliza-lo mais vezes. De repente com formas alteradas, mas sempre dentro do contexto.

Primator_2017

A banda lançou o primeiro single do novo álbum, To Mars, que terá produção de Mário Linhares (Dark Avenger). Quais benefícios a produção trouxe para a sonoridade do Primator hoje?

Rodrigo – Todos! (risos) Gravamos e produzimos o Involution por conta própria, então pudemos perceber essa mudança tão abrupta que uma produção traz. É como deixar de andar a pé e passar a guiar uma Ferrari. Você começa a ter menos limitações. Com o Linhares, saímos da zona de conforto e do que é óbvio e datado. Embora seja mais trabalhoso e demande mais atenção e tempo, sem dúvidas o processo traz todos os benefícios que poderíamos esperar.

Ao ouvir To Mars, fica evidente um amadurecimento no som do Primator. Fica até difícil descrever, mas a achei a composição bem mais robusta, isso sem falar nos timbres utilizados. A banda sente isso também?

Rodrigo – Sem dúvidas. A To Mars segue uma linha diferente do que fizemos no Involution e é isso o que queremos para o próximo álbum. Manter a essência, sem medo de ousar.

Recentemente a banda passou por uma mudança de formação com a entrada do guitarrista Lucas Almeida, um músico com bastante experiência. Quais contribuições dessa entrada no Primator poderemos ouvir no próximo álbum da banda?

Rodrigo – O talento e capacidade técnica dele são indiscutíveis, sem contar a deliberação de ideias e proatividade. Acredito que em todos os aspectos, as guitarras continuam se conversando muito bem e sinto mais peso no som como um todo, até mesmo nas músicas do Involution.

Agora em setembro a banda participará do show de lançamento do novo álbum do Dark Avenger, em São Paulo. O que esse momento significará para o Primator?

Rodrigo – Mais um momento de glória entre tantos outros de luta. É e sempre será uma honra dividir o palco com meus amigos do Dark Avenger, ainda mais num dia tão especial, que marca o lançamento desta verdadeira obra prima que é o The Beloved Bones: Hell (2017). Simplesmente fantástico e impossível agradecer o convite apenas com palavras.

Muito obrigado pelo seu tempo, deixo aqui o espaço aberto para você.

Rodrigo – Eu que agradeço pela oportunidade da entrevista. Parabéns também pelo teor das perguntas. Quero deixar aqui meu convite pessoal para o show do dia 30 de setembro, que será incrível, ao lado de Hellarise e Dark Avenger. Estamos preparando algumas surpresas, entre elas pelo menos uma música nova que fará parte de nosso próximo álbum. Então, quem for verá! Grande abraço à todos e nos vemos em breve!

Mais Informações:
www.bandaprimator.com.br
www.facebook.com/bandaprimator
www.soundcloud.com/bandaprimator
www.twitter.com/primatormetal

Comentários estão desabilitados no momento.